"Não sou um livro bem escrito; sou um homem, com as suas contradições." Conrad Ferdinand Meyer
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18 de janeiro de 2017
24 de fevereiro de 2016
Síndrome de Estocolmo no 'antifeminismo feminino'.
Estava
pesquisando a Síndrome de Estocolmo em mulheres vítimas de abuso. O texto do
link abaixo é bastante esclarecedor e alerta para pontos sensíveis de nosso
atavismo cultural.
Só
não concordo com a sugestão de que mulheres poderiam resolver-se com pessoas do
mesmo sexo como forma de driblar sua heterossexualidade. Não creio que a coisa toda seja tão simplista. Necessário a referência e essa passa por uma condição que é marcadamente cultural.
Por
outro lado, como o modus operandi masculino é largamente conhecido, nos
desencoraja da possibilidade de muitos flertes por julgarmos NÃO VALER À PENA.
Quando calculamos honestamente o ônus de manter um relacionamento com um homem
em face de algum benefício partilhado, seja ele qual for, sexual, afetivo,
moral, financeiro etc, é DESENCORAJADOR.
Eu
me separei há mais de dois anos e a experiência foi agradável o suficiente para
manter-me segura no muro da solteirice. Estar sozinha parece-me mais
conciliável em não ter ameaçada a minha esfera de liberdade.
Recomendo
texto por ser uma discussão sempre atualizada. Feminismo, um modo de olhar, de
perceber e de agir. Uma vez feminista, não há modo de conciliar questões tão acintosamente
veladas. Principalmente, porque já estamos cansadas de tanto!
O
texto foi postado pela jovem Isabelle, tomando por base o Loving to Survive:
Sexual Terror, Men's Violence, and Women's Lives - Dee L.R. Graham, conforme
ela mesma cita. O título do blog dela é sugestivo: "Nós somos as mulheres sobre as quais os homens nos alertaram". <rsrsrs>
Seguem o link e alguns excertos retirados de lá:
“compreendemos que as mulheres sofrem
coletivamente da Síndrome de Estocolmo – a
criação de vínculos de um refém com seus captores – como resultado do seu medo
constante de serem assediadas verbalmente, sexualmente e fisicamente, bem como
restringidas economicamente pelos homens.”
”as mulheres se esforçam para agradar os
homens, e dessa reação surge a “feminilidade”: a sua aparente subserviência,
docilidade e auto-sacrifício.”
“A natureza aparentemente difundida desse
fenômeno sugere que a criação de vínculo com o abusador (Síndrome de Estocolmo)
é instintiva e desempenha uma função de
sobrevivência para vítimas de abuso crônico.”
“Quando a vítima define a relação como de
carinho, é fácil para o abusador fazer o mesmo. Obviamente, essas distorções
cognitivas estão a serviço da sobrevivência: elas reduzem o terror, criam a
esperança de escapar por via da conquista do abusador, e facilitam a criação de
um vínculo entre o abusador e a vítima e, portanto, aumentam as chances de
sobrevivência da vítima.”
“As distorções cognitivas proporcionam para
as vítimas uma interpretação acerca de seu próprio comportamento. O conteúdo
das distorções traz um significado para as vítimas sobre seu comportamento, e
as ajuda a acreditar que estão no controle.”
“A vítima com frequência racionaliza o
abuso ao se culpar pelo ocorrido, acreditando que pode controlá-lo e também
quando é abusada. Mas por que ela se culparia por seu abuso? Há pelo menos duas
razões:
(1) A fim de garantir a sobrevivência, a
vítima adota a perspectiva do abusador, e esse acredita ter uma justificativa
para abusá-la;
(2) Se a vítima se culpa pelo ocorrido, ela
então acredita que é capaz de cessar o abuso. Outra conseqüência dessa
distorção é a de que a vítima gasta uma
energia imensa para mudar ou “melhorar-se” a fim de que o abuso termine.”
“A história e realidade das mulheres ao
redor do mundo não deixam dúvidas de que os homens são capazes de matar
mulheres, de usar violência para controlá-las socialmente, e que os homens utilizarão os motivos mais banais
para racionalizar suas violências.”
“Pesquisando em diversas fontes, Russell
(1984) identificou as funções do assédio sexual, que incluem:
·
A manutenção da
prerrogativa masculina tradicional da iniciativa sexual.
·
A expressão da
hostilidade masculina em relação às mulheres.
·
A compensação de
homens pela impotência em suas próprias vidas através de controle sobre uma
mulher.
·
Afirmação do papel
sexual da mulher sobre suas outras funções, e, através disso, a manutenção das
mulheres em posição subordinada.
·
A limitação do
acesso das mulheres a cargos específicos, especialmente aqueles que não são
“tradicionalmente” femininos.
Outra função do assédio é sexualizar a
interação, comunicando às mulheres que somos, principalmente e antes de tudo,
objetos para a satisfação sexual dos homens.”
“No entanto, as
formas de violência mais freqüentes não são conceitualizadas como violentas, ou
mesmo abusivas ou não-usuais pela maioria das mulheres.
Infelizmente, elas são vistas como comportamentos masculinos normais, o que
sugere que as mulheres conviveram por tanto tempo com a violência masculina que
ela se tornou “imperceptível”.”
“Devemos igualmente destacar que todos os
homens se beneficiam das consequências das violências e das ameaças de
violência por outros homens.”
“Note-se que em troca de segurança física
de terceiros e “liberdades”, a mulher deve se submeter sexualmente ao seu
“protetor”, e, muitas vezes, ter e cuidar de seus filhos. O fato é que as mulheres pagam, e pagam
caro, pelas pequenas “gentilezas” que recebem dos homens, inclusive a gentileza de protegê-las da
violência de outros homens. Também se pode argumentar que o comportamento protetor
dos homens em relação às mulheres é, na verdade, a proteção daquilo que
entendem como sua propriedade.”
·
“Deus é retratado
como sendo um homem, onipotente e superior, provendo legitimização “divina” às
relações hierárquicas.
·
Nossa história é
masculina, pois as vidas das mulheres foram apagadas de todas as representações
oficiais, ou então reescritas a partir da perspectiva dos homens.
·
A baixa renda das
mulheres em relação à dos homens pressiona as mulheres a casar ou permanecer
casadas, tendo como objetivo sua sobrevivência econômica.
·
O padrão de uma
mulher atraente é definido como ser pequena e magra (ou seja, fraca), e
vestir-se de forma que não possa se proteger (por exemplo, usar salto alto).”
“Porém, dentre as gentilezas demonstradas,
talvez a mais valorizada pelas mulheres seja o afeto e o amor de um homem. Frye
(1983) oferece uma perspectiva interessante acerca do amor dos homens:
“Dizer que um homem é heterossexual implica
somente que ele mantém relações sexuais [fode] exclusivamente com [ou submete
sexualmente] o sexo oposto, ou seja, mulheres. Tudo ou
quase tudo que é próprio do amor, a maioria dos homens hétero reservam
exclusivamente para outros homens. As
pessoas que eles admiram; respeitam; adoram e veneram; honram; quem eles
imitam, idolatram e com quem criam vínculos mais profundos; a quem estão
dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender; aqueles cujo
respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles desejam:
estes são, em sua maioria esmagadora, outros homens. Em suas relações com
mulheres, o que é visto como respeito é gentileza, generosidade ou paternalismo;
o que é visto como honra é a colocação da mulher em uma redoma. Das mulheres
eles querem devoção, servitude e sexo. A
cultura heterossexual masculina é homoafetiva; ela cultiva o amor pelos
homens.” (...) De fato, propomos que o ápice da
representação da subordinação da mulher e dominação do homem, e também um dos
momentos nos quais o vínculo da mulher com seus abusadores se torna mais
evidente, ocorre durante o ato sexual heterossexual.”
“Uma mulher exposta às idéias, opiniões,
atitudes, sentimentos e necessidades dos homens (e filhos), ao ponto da
exclusão às das mulheres, é uma mulher
ideologicamente isolada. (...) Note-se que,
uma vez que os homens ameaçam as mulheres com violências porque são mulheres,
isto é, porque possuem corpos femininos, muitas mulheres depreciam seus
próprios corpos e de outras mulheres, algumas delas ao ponto de odiá-los. Isso
acaba por agravar ainda mais o isolamento entre as mulheres.”
“Dworkin (1985) oferece uma observação
pungente: “O feminismo é odiado porque mulheres são odiadas. O anti-feminismo é
uma expressão direta de misoginia; é a defesa política do ódio às mulheres.
Isso se dá porque o feminismo é o movimento de libertação das mulheres.”
“O movimento feminista proporciona às
mulheres um contexto que legitimiza falar das violências em nossas vidas
previamente invisibilizadas – o incesto, estupro, espancamento e assédio que
moldam nossos dias. Revelar a natureza pervasiva dessas violências expõe a
falsidade dos mitos patriarcais de que tais incidentes são isolados.”
“precisamente ao manifestarmos nossa ética
feminista, passamos a ouvir sobre a importância da tolerância. É preciso
compreender que, quando as pessoas começam a falar sobre a importância da
tolerância, altruísmo e auto-sacrifício, isso indica que elas percebem um
conflito inerente de interesses entre os envolvidos. Dessa forma, a fim de
resolver esse conflito, espera-se que aqueles
que não possuem poder institucional sejam altruístas. Nesse sentido, o altruísmo e o auto-sacrifício
são considerados “virtudes femininas”.
“Nós apresentamos todas essas observações a
fim de que as leitoras possam determinar por si próprias se os homens como um
grupo demonstram verdadeiro amor às mulheres. Senhores “gentis” de escravos
podem ter tornado a escravidão relativamente mais suportável para os escravos,
porém isso não fez da instituição da escravidão algo menos hediondo. Também não acreditamos que, sob condições de
dominação masculina, o conceito do “consentimento” feminino em relações
desiguais seja significativo.”
“Quanto mais vozes femininas se erguerem
confirmando as violências dos homens, menos isoladas se sentirão as vítimas, e
mais difícil será a minimização do problema pelo patriarcado. Da mesma forma, à
medida que as mulheres, ao criarem vínculos entre si, receberem umas das outras
o amor, a afirmação e a consideração necessários a qualquer ser humano, elas se
tornarão cada vez menos dependentes das
pequenas “gentilezas” dos homens para que sintam que possuem valor.”
19 de janeiro de 2016
Maquiagem e adereços femininos.
A maior parte dos
erros relativos ao belo nasce da falsa concepção do século XVIII relativa à
moral. Naquele tempo a natureza foi tomada como base, fonte e modelo de todo o
bem e de todo o belo possíveis. A negação do pecado original contribuiu em boa
parte para a cegueira geral daquela época. Se todavia consentirmos em fazer
referência simplesmente ao fato visível, à experiência de todas as épocas e à
Gazette des Tribunaux, veremos que a natureza não ensina nada, ou quase nada,
que ela obriga o homem a dormir, a beber, a comer e a defender-se, bem ou mal,
contra as hostilidades da atmosfera. É ela igualmente que leva o homem a matar
seu semelhante, a devorá-lo, a seqüestrá-lo e a torturá-lo; pois mal saímos da
ordem das necessidades e das obrigações para entrarmos na do luxo e dos
prazeres, vemos que a natureza só pode incentivar apenas o crime. É a infalível
natureza que criou o parricídio e a antropofagia, e mil outras abominações que
o pudor e a delicadeza nos impedem de nomear. É a filosofia (refiro-me à boa),
é a religião que nos ordena alimentar nossos pais pobres e enfermos. A natureza
(que é apenas a voz de nosso interesse) manda abatê-los. Passemos em revista,
analisemos tudo o que é natural, todas as ações e desejos do puro homem
natural, nada encontraremos senão horror. Tudo quanto é belo e nobre é o
resultado da razão e do cálculo. O crime, cujo gosto o animal humano hauriu no
ventre na mãe, é originalmente natural. A virtude, ao contrário, é artificial,
sobrenatural, já que foram necessários, em todas as épocas e em todas as
nações, deuses e profetas para ensiná-la à humanidade animalizada, e que o
homem, por si só, teria sido incapaz de descobri-la. O mal é praticado sem
esforço, naturalmente, por fatalidade; o bem é sempre o produto de uma arte. Tudo
quanto digo da natureza como má conselheira em matéria de moral, e da razão
como verdadeira redentora e reformadora, se pode transpor para a ordem do belo.
Assim, sou levado a considerar os adereços como um dos sinais da nobreza
primitiva da alma humana. As raças que nossa civilização, confusa e pervertida,
trata com naturalidade de selvagens, com um orgulho e uma enfatuação
absolutamente risíveis, compreendem, tanto quanto a criança, a alta
espiritualidade da indumentária. (...)
A moda deve ser considerada, pois, como um
sintoma do gosto pelo ideal que flutua no cérebro humano acima de tudo o que a
vida natural nele acumula de grosseiro, terrestre e imundo, como uma deformação
sublime da natureza, ou melhor, como uma tentativa permanente e sucessiva de
correção da natureza. Assim, observou-se judiciosamente (sem se descobrir a
razão) que todas as modas são encantadoras, ou seja, relativamente
encantadoras, cada uma sendo um esforço novo, mais ou menos bem-sucedido, em
direção ao belo, uma aproximação qualquer a um ideal cujo desejo lisonjeia
incessantemente o espírito humano insatisfeito. Mas, para serem verdadeiramente
apreciadas, as modas não devem ser consideradas como coisas mortas; seria o
mesmo que admirar os trapos pendurados, frouxos e inertes como a pele de São
Bartolomeu, no armário de um vendedor de roupas usadas. É preciso imaginá-los
vitalizados, vivificados pelas belas mulheres que os vestiram. Somente assim
compreenderemos seu sentido e espírito. Se, por conseguinte, o aforismo Todas
as modas são encantadoras o escandaliza como excessivamente absoluto, diga e
estará certo de não se enganar: todas foram legitimamente encantadoras.
A mulher está
perfeitamente nos seus direitos e cumpre até uma espécie de dever esforçando-se
em parecer mágica e sobrenatural; é preciso que desperte admiração e que
fascine; ídolo, deve dourar-se para ser
adorada. Deve, pois, colher em todas as artes os meios para elevar-se acima da
natureza para melhor subjugar os corações e surpreender os espíritos. Pouco
importa que a astúcia e o artifício sejam conhecidos de todos, se o sucesso
está assegurado e o efeito é sempre irresistível. O artista-filósofo encontrará
facilmente nessas considerações a legitimação de todas as práticas empregadas
em todos os tempos pelas mulheres para consolidarem e divinizarem, por assim
dizer, sua frágil beleza. O catálogo dessas práticas seria inumerável; mas,
para nos limitarmos àquilo que nossa época chama vulgarmente de maquilagem,
quem não vê que o uso do pó-de-arroz, tão tolamente anatematizado pelos
filósofos cândidos, tem por objetivo e por resultado fazer desaparecer da tez
todas as manchas que a natureza nela injuriosamente semeou e criar uma unidade
abstrata na textura e na cor da pele, unidade que, como a produzida pela malha,
aproxima imediatamente o ser humano da estátua, isto é, de um ser divino e
superior? Quanto ao preto artificial que circunda o olho e ao vermelho que
marca a parte superior da face, embora o uso provenha do mesmo princípio, da
necessidade de suplantar a natureza, o resultado deve satisfazer a uma
necessidade completamente oposta.
O vermelho e o preto representam a vida, uma
vida sobrenatural e excessiva; essa moldura negra torna o olhar mais profundo e
singular, dá aos olhos uma aparência mais decidida de janela aberta para o infinito;
o vermelho, que inflama as maçãs do rosto, aumenta ainda a claridade da pupila
e acrescenta a um belo rosto feminino a paixão misteriosa da sacerdotisa.
Assim, se sou bem
compreendido, a pintura do rosto não deve ser usada com a intenção vulgar, inconfessável,
de imitar a bela natureza e de rivalizar com a juventude. Aliás, observou-se
que o artifício não embelezava a feiúra e só podia servir a beleza. Que se
atreveria a atribuir à arte a função estéril de imitar a natureza? A maquilagem
não tem por que se dissimular nem por que evitar se entrever; pode, ao
contrário, exibir-se, se não com afetação, ao menos com uma espécie de candura.
Aqueles a quem uma
pesada gravidade impede buscar o belo mesmo em suas mais minuciosas
manifestações, autorizo de boa vontade a rirem de minhas reflexões e a
assinalarem nelas a pueril solenidade; nada em seus julgamentos austeros me
afeta; contento-me em me remeter aos verdadeiros artistas, assim como às
mulheres que receberam ao nascer uma centelha desse jogo sagrado com que
gostariam de iluminar-se por inteiro.
BAUDELAIRE, Charles. Elogio da maquilagem. In:
___________, Sobre a modernidade. Org. Teixeira Coelho. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1996, p. 55 – 59. Coleção Leitura.
Ilustrações: pinturas do turco Ramzi Taskiran.
24 de outubro de 2015
Por um Estado laico, não vote em religiosos!
Diabólicos!
Vejo o cerceamento do
direito à informação e a opressão à liberdade de agir.
Caminhando
para um Estado que não é laico, cujo tendenciosismo político à ideologia cristã
é um despautério, um despropósito e um desserviço.
A recusa do
profissional de saúde a dar a orientação necessária, em razão de sua
"liberdade de consciência e de crença", afetará muito mais
acintosamente as mulheres pobres violentadas.
Protege-se um
direito fundamental, enquanto um outro está à mercê das frivolidades
religiosas.
Faço votos de
que não vá adiante!
2 de agosto de 2015
14 de julho de 2015
A recusa de Charlotte Brontë.
Carta de Charlotte Brontë em resposta ao pedido de casamento de Henry
Nussey, irmão de sua melhor amiga, redigida em fevereiro de 1839, oito anos
antes de publicado o romance Jane Eyre.
Meu
caro senhor,
Antes
de responder sua carta, eu poderia ter passado um longo tempo considerando seu
conteúdo; mas como decidi, desde o momento em que a recebi e a li, o caminho
pelo qual enveredaria, tal atraso pareceu-me completamente desnecessário.
Você
sabe que tenho muitas razões para sentir gratidão por sua família, amar ao
menos uma entre as suas irmãs e estimá-lo muito fortemente. Não acuse-me,
portanto, de más intenções quando eu disser que a minha resposta para a sua
proposta deve ser um determinado não.
Minha decisão, que foi baseada nos
ditames da consciência e não da inclinação, não foi fundamentada em um desprezo
em particular pela ideia de unir-me a você – mas estou certa de que a minha
disposição natural não foi calculada para fazer um homem como você feliz.
Tenho
o hábito de analisar o caráter daqueles a quem sou apresentada, e acho que o conheço
bem o suficiente para imaginar o tipo de mulher que se adequaria à você. Seu
caráter não deveria ser acentuado, ardente e original – ela deveria possuir um
temperamento manso, uma religiosidade incontestável, um espírito equilibrado e
bem disposto e beleza o suficiente para agradar aos seus olhos e gratificar seu
orgulho.
Quanto
a mim, eu não sou tão séria, solene e serena quanto você pensa – você me
consideraria demasiadamente romântica – “excêntrica”, você diria; e pensaria
que sou satírica e inflexível. O fato é que eu não pretendo fazê-lo de tolo, e
jamais o enganaria a fim de me casar e escapar do estigma de ser uma
solteirona, porque desse modo comprometeria o futuro de um bom homem a quem não
posso fazer feliz.
Adeus!
De sua amiga,
C.
Brontë”
Fonte: www.geledes.org.br.
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