Carta de Charlotte Brontë em resposta ao pedido de casamento de Henry
Nussey, irmão de sua melhor amiga, redigida em fevereiro de 1839, oito anos
antes de publicado o romance Jane Eyre.
Meu
caro senhor,
Antes
de responder sua carta, eu poderia ter passado um longo tempo considerando seu
conteúdo; mas como decidi, desde o momento em que a recebi e a li, o caminho
pelo qual enveredaria, tal atraso pareceu-me completamente desnecessário.
Você
sabe que tenho muitas razões para sentir gratidão por sua família, amar ao
menos uma entre as suas irmãs e estimá-lo muito fortemente. Não acuse-me,
portanto, de más intenções quando eu disser que a minha resposta para a sua
proposta deve ser um determinado não.
Minha decisão, que foi baseada nos
ditames da consciência e não da inclinação, não foi fundamentada em um desprezo
em particular pela ideia de unir-me a você – mas estou certa de que a minha
disposição natural não foi calculada para fazer um homem como você feliz.
Tenho
o hábito de analisar o caráter daqueles a quem sou apresentada, e acho que o conheço
bem o suficiente para imaginar o tipo de mulher que se adequaria à você. Seu
caráter não deveria ser acentuado, ardente e original – ela deveria possuir um
temperamento manso, uma religiosidade incontestável, um espírito equilibrado e
bem disposto e beleza o suficiente para agradar aos seus olhos e gratificar seu
orgulho.
Quanto
a mim, eu não sou tão séria, solene e serena quanto você pensa – você me
consideraria demasiadamente romântica – “excêntrica”, você diria; e pensaria
que sou satírica e inflexível. O fato é que eu não pretendo fazê-lo de tolo, e
jamais o enganaria a fim de me casar e escapar do estigma de ser uma
solteirona, porque desse modo comprometeria o futuro de um bom homem a quem não
posso fazer feliz.
Adeus!
De sua amiga,
C.
Brontë”
Fonte: www.geledes.org.br.

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