14 de julho de 2015

A recusa de Charlotte Brontë.




Carta de Charlotte Brontë em resposta ao pedido de casamento de Henry Nussey, irmão de sua melhor amiga, redigida em fevereiro de 1839, oito anos antes de publicado o romance Jane Eyre.


Meu caro senhor,

Antes de responder sua carta, eu poderia ter passado um longo tempo considerando seu conteúdo; mas como decidi, desde o momento em que a recebi e a li, o caminho pelo qual enveredaria, tal atraso pareceu-me completamente desnecessário.

Você sabe que tenho muitas razões para sentir gratidão por sua família, amar ao menos uma entre as suas irmãs e estimá-lo muito fortemente. Não acuse-me, portanto, de más intenções quando eu disser que a minha resposta para a sua proposta deve ser um determinado não.

Minha decisão, que foi baseada nos ditames da consciência e não da inclinação, não foi fundamentada em um desprezo em particular pela ideia de unir-me a você – mas estou certa de que a minha disposição natural não foi calculada para fazer um homem como você feliz.

Tenho o hábito de analisar o caráter daqueles a quem sou apresentada, e acho que o conheço bem o suficiente para imaginar o tipo de mulher que se adequaria à você. Seu caráter não deveria ser acentuado, ardente e original – ela deveria possuir um temperamento manso, uma religiosidade incontestável, um espírito equilibrado e bem disposto e beleza o suficiente para agradar aos seus olhos e gratificar seu orgulho.

Quanto a mim, eu não sou tão séria, solene e serena quanto você pensa – você me consideraria demasiadamente romântica – “excêntrica”, você diria; e pensaria que sou satírica e inflexível. O fato é que eu não pretendo fazê-lo de tolo, e jamais o enganaria a fim de me casar e escapar do estigma de ser uma solteirona, porque desse modo comprometeria o futuro de um bom homem a quem não posso fazer feliz.

Adeus! De sua amiga,

C. Brontë”



Fonte: www.geledes.org.br.





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