14 de julho de 2015

Imensidão e vazio.





Posso fechar os olhos e vê-lo em minha mente. Estava perdido, como quem acabara de acordar de um sono confuso. Olhar vago, dispersivo. Nem procurava, nem tampouco encontrava. Tudo estava do modo como deveria estar. Tudo transitório, saltando para o escuro abismal do esquecimento.


Eu margeava a dor causada pelo ressentimento das esperanças desfeitas. Tudo era um só morrer. E quem teima ou se esconde também morre, também se alimenta de seu pedaço de adeus. Não há modo de mover-se para tornar à semente. Cada gole de água sorvido é único em seu próprio desfazimento.


Quem somos diante do outro, sem revelar-mo-nos com todo o escrúpulo de nossas vergonhas? E quem somos diante de nós mesmos quando a ninguém é dado o poder de alcançar-nos? Imensidão e vazio. E somos esse soerguer de forças, esse ressurgimento a partir de um alicerce constituído de algum número de fracassos sedimentados.





Nenhum comentário: