Sabe,
Marinélia, certa vez acabei chegando a um
blog bem misógino. Ao extremo! Conheci-o a partir de uma página chamada "Feminista
Indelicada", que eu curtia à época. Curtia e não curto mais, em virtude de
posicionamentos contraditórios que eu li por lá. Para ser mais franca, algumas
publicações tratavam de discurso de ódio contra os homens em geral.
Desliguei-me
por entender que, em alguns momentos, feria o modo como entendo o raio de ação
feminista. Eu não creio que a corrente feminista tenha esse ministério. Creio
que devemos trabalhar consigo e coletivamente, sermos profundamente aquilinas,
no sentido de sermos altivas e mantenedoras de um espaço esclarecedor,
sobretudo, para nossas filhas. Construir um espaço político producente nas
nossas rotinas. É o que sempre fizemos enquanto gênero de forma ativa e
prospectiva.
Voltando
à questão do blog mencionado. Não me recordo (e ainda bem!) o título dele. No
entanto, lembro-me de forma nítida daqueles "ensinamentos".
Objetificava as mulheres apenas pela sua utilidade sexual a ponto de pregar o
direito natural cabível a todo homem de tomar as mulheres que desejasse. Sem
pudor, ali encontrei incitações ao crime de abuso e corrupção de meninas e ao
crime de estupro. E para horror meu, também li que o autor tratava com
naturalidade a questão da pedofilia e o estupro corretivo.
De
embrulhar o estômago, as interpretações acerca do "tipo" de mulher e
suas preferências sexuais de acordo com a tatuagem e sua posição no corpo.
Somente uma conclusão tornada possível: todas somos putas. Nós, nossas
ancestrais, nossas filhas e toda a geração de mulheres que se seguirão à nossa
existência. Após a indigesta leitura, senti o mesmo asco que as autoras da
página mencionada publicavam. Em seguida, a repugnância cedeu lugar à revolta.
Neste
momento, tenho lágrimas nos olhos e lamento pelo tempo em que vivemos, porque
algo não mudou apesar de todas as conquistas orquestradas pela ciência, pela
tecnologia, pelas artes, pelo pensamento humano. Não falo de religiões porque
são mantenedoras, em maior ou menor grau, da estrutura social e política que aí
se sustenta.
Sinto
decepções que amargam qualquer possibilidade de encantamento que porventura o
sexo considerado meu oposto possa oferecer, não a mim propriamente, mas às
gerações de meninas e mulheres que me sobreviverão a presença. Teço pensamentos
pesarosos quando observo os meninos que um dia se tornarão homens e me
questiono o que suas mães realizam a respeito de sua educação em face do gênero
feminino.
Porque
sei que muitas são as que deitam os olhos e se calam, por ser mulheres. Há
também aquelas que possuem um orgulho diferente, não o orgulho honrado de
carregar frente ao peito sua bandeira-mestra, mas o orgulho serviente, o
orgulho submisso semelhante ao orgulho de um cão.
Há
dias atrás, quando estava no trabalho arrumando uma mesa, ouvi uma famosa
jornalista, muito bem casada, defensora da família, que conquistou um espaço
próprio num programa matutino em que filia informação e entretenimento, lançar
ao público nacional um disparate: "Não é querendo ser feminista,
mas..." E seguia ministrando uma reivindicação de conteúdo político feminista.
Tratava-se da jornada de trabalho da mulher, dentro e fora de casa, tema pelo
qual se discorria um debate.
Creio
que por hora, já basta. Tem sido o bastante para todas nós. E é por essa razão
que, num dos meus blogues, constituí um marcador denominado Levante Político.




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