21 de fevereiro de 2015

A moça por detrás do vídeo.






A moça na imagem é Mia Hujic, tradutora e modelo que se fotografou durante um período de "mais de três semanas", nas quais simulava um ano na vida de uma mulher vítima de agressões domésticas. O projeto, mantido em sigilo, buscou denunciar a violência silenciosa por que passam as mulheres pelo mundo. Na última imagem, ela apresenta a seguinte mensagem: "Ajude-me, eu não sei se o amanhã virá". Em algumas traduções está assim: "Ajuda-me, eu não sei se posso esperar até amanhã".


Num link em que foi entrevistada, e não ousou esmiuçar muito da história sobre o vídeo, contou que foi para a Itália com a família quando ainda tinha oito anos de idade, país onde reside e trabalha. Ao tempo da entrevista, declarou ser mãe solteira de um menino de seis anos. Contou também sobre como a larga e ditosa repercussão do vídeo lhe atingiu a vida privada, pois as pessoas realmente acreditaram que ela passava por violência - algumas se mobilizaram para ajudá-la.


Segundo ela, o vídeo foi produzido em vários locais, inclusive em seu próprio apartamento. Recebeu a proposta de um maquiador amigo, Dragan Injac, que a auxiliava na produção e realizou toda a maquiagem. As fotos foram tiradas de uma câmera doméstica e, após isso, editadas pela empresa Saatchi&Saatchi. Há informações, inclusive, que o vídeo foi veiculado em uma campanha publicitária croata no dia Internacional da Mulher para denunciar os abusos domésticos, mas isto não fora mencionado na entrevista.



Quando perguntada sobre o que pensava a respeito dos comentários negativos que a culpavam pela violência em que supostamente sofria no vídeo, ela lamentou o fato de que "algumas pessoas parecem estar imunes aos acontecimentos pesarosos ao seu redor". E acrescentou: "Eu não acho que as vítimas de violência devem revidar com violência. Eu creio que todos nós temos direito a uma vida digna e a garantir que esta seja uma alternativa oferecida às vítimas de violência doméstica logo na primeira manifestação de violência, em oferecer-lhes um abrigo seguro, onde lhes serão dadas as assistências necessárias".


E finaliza: "Esta foi a minha grande motivação: dar um rosto para todas aquelas mulheres que atualmente não possuem poder nem capacidade para procurar por ajuda. Toda a campanha foi criada a partir do desejo de encorajar as vítimas de violência, seus amigos, vizinhos e parentes a denunciarem para por fim à situação da violência, seja ligando para um número de emergência, seja para oferecer a elas um abrigo seguro".



Em novembro de 2012, o CENTRO PARA A LIDERANÇA GLOBAL DAS MULHERES foi criado por iniciativa da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos. Ocorrências de violência sexual perpetradas pelo mundo tem corroborado a ideia de que trata-se de um fenômeno realmente mundial, não localizado.


Notadamente em países de cultura mais tradicionalista, cujos MOLDES PATRIARCAIS são bastante perceptíveis, as mulheres tem seus corpos violados porque não possuem direito sobre si mesmas e o que pensam ou desejam é considerado irrelevante.


A misoginia é ainda mais virulenta quando são as mulheres suas próprias algozes. Quando elas são educadas para reforçar valores que não são inclusivos, que lhes obsta a busca por igualdade de fato e lhes recusa a manifestação de suas diferenças.




Eis o link da entrevista:





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