A moça na imagem é Mia Hujic, tradutora e modelo que se fotografou
durante um período de "mais de três semanas", nas quais simulava um
ano na vida de uma mulher vítima de agressões domésticas. O projeto, mantido em
sigilo, buscou denunciar a violência silenciosa por que passam as mulheres pelo
mundo. Na última imagem, ela apresenta a seguinte mensagem: "Ajude-me, eu
não sei se o amanhã virá". Em algumas traduções está assim:
"Ajuda-me, eu não sei se posso esperar até amanhã".
Num link em que foi entrevistada, e não ousou esmiuçar muito da
história sobre o vídeo, contou que foi para a Itália com a família quando ainda
tinha oito anos de idade, país onde reside e trabalha. Ao tempo da entrevista,
declarou ser mãe solteira de um menino de seis anos. Contou também sobre como a
larga e ditosa repercussão do vídeo lhe atingiu a vida privada, pois as pessoas
realmente acreditaram que ela passava por violência - algumas se mobilizaram
para ajudá-la.
Segundo ela, o vídeo foi produzido em vários locais, inclusive em
seu próprio apartamento. Recebeu a proposta de um maquiador amigo, Dragan
Injac, que a auxiliava na produção e realizou toda a maquiagem. As fotos foram
tiradas de uma câmera doméstica e, após isso, editadas pela empresa Saatchi&Saatchi.
Há informações, inclusive, que o vídeo foi veiculado em uma campanha
publicitária croata no dia Internacional da Mulher para denunciar os abusos
domésticos, mas isto não fora mencionado na entrevista.
Quando perguntada sobre o que pensava a respeito dos comentários
negativos que a culpavam pela violência em que supostamente sofria no vídeo,
ela lamentou o fato de que "algumas
pessoas parecem estar imunes aos acontecimentos pesarosos ao seu redor". E acrescentou: "Eu não
acho que as vítimas de violência devem revidar com violência. Eu creio que
todos nós temos direito a uma vida digna e a garantir que esta seja uma
alternativa oferecida às vítimas de violência doméstica logo na primeira
manifestação de violência, em oferecer-lhes um abrigo seguro, onde lhes serão
dadas as assistências necessárias".
E finaliza: "Esta foi
a minha grande motivação: dar um rosto para todas aquelas mulheres que
atualmente não possuem poder nem capacidade para procurar por ajuda. Toda a
campanha foi criada a partir do desejo de encorajar as vítimas de violência,
seus amigos, vizinhos e parentes a denunciarem para por fim à situação da
violência, seja ligando para um número de emergência, seja para oferecer a elas
um abrigo seguro".
Em novembro de 2012, o CENTRO PARA A LIDERANÇA GLOBAL DAS MULHERES
foi criado por iniciativa da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos.
Ocorrências de violência sexual perpetradas pelo mundo tem corroborado a ideia
de que trata-se de um fenômeno realmente mundial, não localizado.
Notadamente em países de cultura mais tradicionalista, cujos MOLDES
PATRIARCAIS são bastante perceptíveis, as mulheres tem seus corpos violados
porque não possuem direito sobre si mesmas e o que pensam ou desejam é
considerado irrelevante.
A misoginia é ainda mais virulenta quando são as mulheres suas
próprias algozes. Quando elas são educadas para reforçar valores que não são
inclusivos, que lhes obsta a busca por igualdade de fato e lhes recusa a
manifestação de suas diferenças.
Eis o link da entrevista:




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