Escrevo desde os meus
sete anos de idade sem desembaraço. E desde sempre empunhei caneta ou lápis sem
escrúpulos. Hoje, envergo os dedos para digitalizar pensamentos que se irrompem
feito bolhas de lugares em mim ora lumiados, ora enegrecidos.
É como trazer à
baila minhas mais diversas e ousadas faces, tantas personagens quanto couberem as
histórias por mim vividas. Tantas delas quanto mais me desloco em direção a
histórias vividas por outras pessoas. Escrever é parte da expressão divina. É um
empoderamento criativo.
Num mundo onde a extensão
da sordidez dá lugar igualmente a uma trama engessada de pudores, escrever é também
um ato de rebeldia. E minha rebeldia transita bem à vontade na fronteira entre
o caos e a ordem, a sublimidade e a fúria.
Pessoas honradas
levam de si e trazem para si. Pessoas medíocres arrastam e são arrastadas. Tais
frases podem levar relações humanas ao ponto da beligerância. Escrevi, como
sempre me ocorre, num momento de inspiração orientada por outras inspirações.
Inspirações são
verdadeiras correntezas que não se permitem esperar tempos melhores ou
idealizados. ELAS ESTÃO! Ou você segue com elas mansamente e lhes permite a
justa ascensão ou as submergirá ao esquecimento.
Explico. Pessoas
honradas levam de si, ofertam ao mundo, desprendem-se. E trazem outras consigo
por atraí-las, por construir um espaço próprio que seja aprazível e dinâmico. Não
são exigentes nem reclamam companhia.
As medíocres são
exigentes, o que fazem, em geral, por algo mais do que lhe convém o direito.
São exorbitantes e desmedidas, grosseiras e autoritárias, por essa razão, arrastam
e são arrastadas. O mal que distribuem, contra si mesmas é dirigido.
Necessário entender
que crescimento só é um processo útil quando realizado na esfera mais íntima. A
ninguém é legítimo o direito de constituir-se juiz e carcereiro das premissas
de outrem. E para converter esse pensamento em ação, sempre exorto a mim mesma:
Acostume-se a ser só, se for este o seu quinhão de liberdade.

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