21 de fevereiro de 2015

Meu quinhão de liberdade.




Escrevo desde os meus sete anos de idade sem desembaraço. E desde sempre empunhei caneta ou lápis sem escrúpulos. Hoje, envergo os dedos para digitalizar pensamentos que se irrompem feito bolhas de lugares em mim ora lumiados, ora enegrecidos.


É como trazer à baila minhas mais diversas e ousadas faces, tantas personagens quanto couberem as histórias por mim vividas. Tantas delas quanto mais me desloco em direção a histórias vividas por outras pessoas. Escrever é parte da expressão divina. É um empoderamento criativo.


Num mundo onde a extensão da sordidez dá lugar igualmente a uma trama engessada de pudores, escrever é também um ato de rebeldia. E minha rebeldia transita bem à vontade na fronteira entre o caos e a ordem, a sublimidade e a fúria.


Pessoas honradas levam de si e trazem para si. Pessoas medíocres arrastam e são arrastadas. Tais frases podem levar relações humanas ao ponto da beligerância. Escrevi, como sempre me ocorre, num momento de inspiração orientada por outras inspirações.


Inspirações são verdadeiras correntezas que não se permitem esperar tempos melhores ou idealizados. ELAS ESTÃO! Ou você segue com elas mansamente e lhes permite a justa ascensão ou as submergirá ao esquecimento.


Explico. Pessoas honradas levam de si, ofertam ao mundo, desprendem-se. E trazem outras consigo por atraí-las, por construir um espaço próprio que seja aprazível e dinâmico. Não são exigentes nem reclamam companhia.


As medíocres são exigentes, o que fazem, em geral, por algo mais do que lhe convém o direito. São exorbitantes e desmedidas, grosseiras e autoritárias, por essa razão, arrastam e são arrastadas. O mal que distribuem, contra si mesmas é dirigido.


Necessário entender que crescimento só é um processo útil quando realizado na esfera mais íntima. A ninguém é legítimo o direito de constituir-se juiz e carcereiro das premissas de outrem. E para converter esse pensamento em ação, sempre exorto a mim mesma:


Acostume-se a ser só, se for este o seu quinhão de liberdade.







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