21 de novembro de 2014

Os olhos de minha avó.








É difícil falar coisas muito profundas. Pra mim, sempre me pareceu melhor escrevê-las. É certo que se vive um hiato no tempo e a boca emudece. Não, não ouso dizer. Escrever é também um desencontro. Apenas o coração canta uma melodia solitária. E contemplo os olhinhos tão vivos da minha avó em silêncio.

Eu gostaria de tê-los de novo, de mirar-lhes o brilho vítreo. Dois cintilantes poemas de vida na face erguidos. Dois faróis divinos, donde se alimentam a fé e a esperança dos dias seguintes. Portais de amor, resignação e perdão.

Como nosso afeto é egoísta e temeroso! Como somos todos vacilantes em permitir as idas daqueles que amamos! Temos a fome de mais um momento. Queremos mais um instante, um único que seja, eterno em singularidade. Que se enraíze em nós e nos embale com seus gentis brotos.




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