Eu creio na vontade humana. O querer é
soberano.
A humanidade...
Parece falta de compaixão, da minha parte,
mas eu não me importo com a humanidade.
Importar-se com a humanidade é algo que excede a
capacidade de qualquer mudança.
Ela caminha deliberadamente para a autodestruição.
Há uma escolha massiva em sustentar um percentual
mínimo de folgados
que não se importam com nada além das cifras que
lhes cabem por direito.
E há o que não escolhemos, e que somos levados a
aceitar,
por força dos processos históricos e das
organizações já consolidadas historicamente.
Essas são intransponíveis e continuarão sendo
até que surja um novo grupo de poder para financiar
novas mudanças
que darão origem a uma nova estrutura pela qual a
civilização se organizará.
Isso, não sem destruição, não sem derramamento de
sangue,
não sem o preço pago por levas de vidas aviltadas.
Nesse mesmo sentido, mudar os outros ou esperar suas
mudanças
é algo inconsistente.
Desse modo, por que as pessoas poderiam tirar-lhe o
sossego?
Se são pessoas com as quais você deve o
compromisso, vale a pena a preocupação.
Nesse aspecto, os filhos e os pais, os projetos de
vida.
Todos lhe têm a pertinência.
Mas se são pessoas dotadas de independência e de
individualidade o
bastante para caminharem por suas próprias pernas
e sustentarem suas próprias escolhas,
definitivamente, não vale a pena.
A única alternativa é eliminá-las.
Para ter tranquilidade, estar bem consigo e com
aqueles que realmente importam.
Porque toda mudança é sutil e não-visível.
Eu, escrevo isso a partir de minhas próprias
experiências, são meus referenciais.
Não quebro a cuca com gente que me incomoda.
Incomodou, eu elimino.
Assim posso estar livre (e leve, sem pesos
desnecessários)
para realizar algo que possa ser bom para algumas
pessoas.
Eu sei que meus poemas são inúteis.
Mas pra que serve mesmo um poema?
O que queremos ou buscamos quando nos ausentamos
da pressa e dos outros e nos mobilizamos em nada
para ler um poema?
O que há no poema para ser lido?
E talvez aí, justamente na inutilidade, esteja a
minha vida.
Há muito tempo atrás, eu desejava ser útil.
E ainda desejo. Quem não?
Mas, a cada dia, eu compreendo
que a vida é bela quando tudo é inútil.
O amor, por exemplo, se tem utilidade, serventia,
não é amor.
É qualquer outra coisa, menos amor.
A entrega deve ser desinteressada, e nisso está a
sua valia.
O poema é um instante de entrega pessoal.
Ninguém pode dizer algo da mesma maneira.
A originalidade é mestra.
Quando o plágio é descoberto, a beleza que ali
havia perde o seu encanto.
Por isso, um plágio é imperdoável.
Há formas de plagiar o amor, o encantamento de uma
amizade?
Se há plágio, então deve ser eliminado.
Se há utilidade no amor, não é amor e deve ser
eliminado.
Se as pessoas me perseguem com seus algozes
e suas correntes de cobranças e medos,
devem ser, exatamente por isso, eliminadas de mim,
do meu convívio, do meu sorriso, do meu esmero.
Restando apenas para elas a minha polidez,
e quando insuportável o incômodo, a minha rispidez,
o meu grito, a minha grosseria.
Fique bem. Sossegue!


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