18 de maio de 2013

Respeito, condescendência e homofobia.








"ANTIGAMENTE, O HOMOSSEXUALISMO ERA PROIBIDO NO BRASIL. DEPOIS, PASSOU A SER TOLERADO. HOJE É ACEITO COMO COISA NORMAL... EU VOU-ME EMBORA ANTES QUE SE TORNE OBRIGATÓRIO!"
Arnaldo Jabor



Há uma diferença salutar entre o respeito e a condescendência. Respeito designa a ação pessoal de quem promove ciência à diversidade de gostos e atributos pessoais de quem quer que seja. Assim, o faz indiferentemente. O respeito não infere por-se no lugar de outrem. É uma questão de prezar a liberdade por amor à liberdade. Não é identificar-se com a peculiaridade de outrem, mas, antes, garantir que haja a diferença. Que a diferença esteja presente.

Respeitar não é assentir com um comportamento alheio. É entender que o alvedrio do outro é um fato presente e inconstante. Respeitar não é identificar-se. Não é tornar a diferença do outro uma identidade própria; não é tomar o caráter do outro como algo pessoal. No respeito, eu não me ausento de mim, apenas reconheço que há um outro que é diferente de mim e que possui também o seu espaço. A outra face do respeito é reconhecer-se na diferença instigada pelo outro, sem fazê-lo seu oponente, sem tornar-se um oponente.

E a condescendência? Está-se diante de uma atribuição do ser que ao reconhecer a diferença da conduta do outro torna-se participativo com a mesma. A diferença é rompida, sua fronteira dissipa-se homogeneizando comportamentos, atitudes e predileções. Ser condescendente então, é transigir ao outro. Desaparece a diferença ao que, simultaneamente,  se dá pela incorporação do comportamento do outro ao seu próprio, seja para se sentir integrado, seja para endossar mais um novo modismo.

Homofobia. É questão de conduta violenta, vil e abjeta, com o fim de extirpar do outro algo com o qual não se identifica. Mas, um momento: que regra moral ou civil me permite ter direito em face do arbítrio de outrem? A liberdade é um espaço pessoal e intransferível. O problema da homofobia é justamente o que há de mais infame em qualquer ser humano: A TIRANIA, ou seja, eu me imponho ao outro naquilo em que no outro eu não participo. Ao que muito se indaga: qual a medida do comportamento homofóbico?

Pois bem, a meu ver, homofobia é conduta violenta, de infração a crime, enfim, um comportamento anti social que revela completa inaceitação da diferença alheia. Não é simplesmente o discurso, este terreno é o do preconceito, no caso, sexual e afetivo. Para agir de modo homofóbico é necessário demonstrar ativamente a violência. A homofobia não apresenta sutilezas de qualquer ordem. É a tirania de quem exercita mal a sua liberdade em impingir sofrimento e punição a alguém que também vivencia uma liberdade, a de escolha de vida.

De lé a cré, amarremos cá este texto. Não é a mobilidade LGBT que me espanta. A mobilidade enquanto atividade social é algo salutar na construção sempre perene de qualquer sociedade. Entender a mobilidade social como arte viva e orgânica é demonstração de civismo. Não há que se evocar o retorno dos pilares burgueses -  família monogâmica, religião, propriedade privada e patriarcado.  No entanto, verifico, e com espanto, que o respeito tem perdido espaço para a condescendência. A resposta reacionária para esse fato é a incursão de grupos de criminalidade oportunista em atos de violência homofóbica.

Com a imposição do "politicamente correto", antipáticos atores sociais confundem as diferenças a partir de uma negação das diferenças. A diversidade de formações familiares não nega as singularidades existentes em cada uma delas. A afetividade não é, portanto, um critério díspare. Respeitar é aceitar realidades e espaços que não são meus. Condescender é aderir ao fato, ao comportamento, é identificar-se. No respeito, existem diferenças claras que coexistem. Na condescendência, as diferenças restam confundidas numa massa comum e amorfa, desaparece a individualidade.

A condescendência tem uma forma de contágio clara e midiática quando o assunto é a homoafetividade. Uma pena! Os modismos são sempre uma praga de péssimo gosto! Há poucos dias, decidi finalmente questionar a nova moda entre as mulheres frequentadoras de academias de musculação e similares. Utilizam a meia bem esticada, muitas vezes por cima da calça de malha, até cobrir a panturrilha. O contraste fica tão evidente que chega a embrulhar o estômago só de ver. É uma completa falta de definição sobre o que é esteticamente agradável. Foi-me respondido que era por causa da novela...  :(

Talvez seja a carência de sensatez na ala dos politicamente corretos que se misturaram aos rebeldes desprovidos de causa? Nunca haveremos de saber. O fato é que o respeito e o civismo não interfere na liberdade alheia para salvaguardar a sua própria. Um pacto de civilidade entre pessoas maduras. Reconhecer-se na manifestação da diferença pelo outro é demonstração de individualidade, sobretudo de intimidade pessoal.

Já a condescendência tem o seu lado traiçoeiro, muito tênue aliás. Endossa o que produz o estímulo para evocar a vontade. Vivenciamos o primado do assédio à manifestação da nossa vontade, de modo que pensamos escolher bem ao assentir, com docilidade, o que nos é ofertado como apenas uma opção. Enfim, sucumbidos estamos a rotulações e ficções por toda parte. Fico pensando se a efusividade à aderência gay em nossa geração não é mais um capítulo digno de contos de fada às avessas.

Sem pretender adeptos, eis a nossa humílima reflexão.


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