"ANTIGAMENTE, O HOMOSSEXUALISMO ERA PROIBIDO NO BRASIL. DEPOIS, PASSOU A SER TOLERADO. HOJE É ACEITO COMO COISA NORMAL... EU VOU-ME EMBORA ANTES QUE SE TORNE OBRIGATÓRIO!"
Arnaldo Jabor
Há uma diferença salutar entre o respeito e a condescendência. Respeito designa a ação pessoal de quem promove ciência à diversidade de gostos e atributos pessoais de quem quer que seja. Assim, o faz indiferentemente. O respeito não infere por-se no lugar de outrem. É uma questão de prezar a liberdade por amor à liberdade. Não é identificar-se com a peculiaridade de outrem, mas, antes, garantir que haja a diferença. Que a diferença esteja presente.
Respeitar não é assentir com um comportamento alheio. É entender
que o alvedrio do outro é um fato presente e inconstante. Respeitar não é
identificar-se. Não é tornar a diferença do outro uma identidade própria; não é
tomar o caráter do outro como algo pessoal. No respeito, eu não me ausento de
mim, apenas reconheço que há um outro que é diferente de mim e que possui
também o seu espaço. A outra face do respeito é reconhecer-se na diferença
instigada pelo outro, sem fazê-lo seu oponente, sem tornar-se um oponente.
E a condescendência? Está-se diante de uma atribuição do ser que
ao reconhecer a diferença da conduta do outro torna-se participativo com a
mesma. A diferença é rompida, sua fronteira dissipa-se homogeneizando
comportamentos, atitudes e predileções. Ser condescendente então, é transigir
ao outro. Desaparece a diferença ao que, simultaneamente, se dá pela incorporação do comportamento do
outro ao seu próprio, seja para se sentir integrado, seja para endossar mais um
novo modismo.
Homofobia. É questão de conduta violenta, vil e abjeta, com o
fim de extirpar do outro algo com o qual não se identifica. Mas, um momento:
que regra moral ou civil me permite ter direito em face do arbítrio de outrem?
A liberdade é um espaço pessoal e intransferível. O problema da homofobia é
justamente o que há de mais infame em qualquer ser humano: A TIRANIA, ou seja,
eu me imponho ao outro naquilo em que no outro eu não participo. Ao que muito
se indaga: qual a medida do comportamento homofóbico?
Pois bem, a meu ver, homofobia é conduta violenta, de infração a
crime, enfim, um comportamento anti social que revela completa inaceitação da
diferença alheia. Não é simplesmente o discurso, este terreno é o do
preconceito, no caso, sexual e afetivo. Para agir de modo homofóbico é
necessário demonstrar ativamente a violência. A homofobia não apresenta
sutilezas de qualquer ordem. É a tirania de quem exercita mal a sua liberdade
em impingir sofrimento e punição a alguém que também vivencia uma liberdade, a
de escolha de vida.
De lé a cré, amarremos cá este texto. Não é a mobilidade LGBT que
me espanta. A mobilidade enquanto atividade social é algo salutar na construção
sempre perene de qualquer sociedade. Entender a mobilidade social como arte
viva e orgânica é demonstração de civismo. Não há que se evocar o retorno dos
pilares burgueses - família monogâmica,
religião, propriedade privada e patriarcado.
No entanto, verifico, e com espanto, que o respeito tem perdido espaço
para a condescendência. A resposta reacionária para esse fato é a incursão de
grupos de criminalidade oportunista em atos de violência homofóbica.
Com a imposição do "politicamente correto",
antipáticos atores sociais confundem as diferenças a partir de uma negação das
diferenças. A diversidade de formações familiares não nega as singularidades
existentes em cada uma delas. A afetividade não é, portanto, um critério
díspare. Respeitar é aceitar realidades e espaços que não são meus.
Condescender é aderir ao fato, ao comportamento, é identificar-se. No respeito,
existem diferenças claras que coexistem. Na condescendência, as diferenças
restam confundidas numa massa comum e amorfa, desaparece a individualidade.
A condescendência tem uma forma de contágio clara e midiática
quando o assunto é a homoafetividade. Uma pena! Os modismos são sempre uma
praga de péssimo gosto! Há poucos dias, decidi finalmente questionar a nova
moda entre as mulheres frequentadoras de academias de musculação e similares.
Utilizam a meia bem esticada, muitas vezes por cima da calça de malha, até
cobrir a panturrilha. O contraste fica tão evidente que chega a embrulhar o
estômago só de ver. É uma completa falta de definição sobre o que é
esteticamente agradável. Foi-me respondido que era por causa da novela... :(
Talvez seja a carência de sensatez na ala dos politicamente
corretos que se misturaram aos rebeldes desprovidos de causa? Nunca haveremos
de saber. O fato é que o respeito e o civismo não interfere na liberdade alheia
para salvaguardar a sua própria. Um pacto de civilidade entre pessoas maduras.
Reconhecer-se na manifestação da diferença pelo outro é demonstração de
individualidade, sobretudo de intimidade pessoal.
Já a condescendência tem o seu lado traiçoeiro, muito tênue
aliás. Endossa o que produz o estímulo para evocar a vontade. Vivenciamos o
primado do assédio à manifestação da nossa vontade, de modo que pensamos
escolher bem ao assentir, com docilidade, o que nos é ofertado como apenas uma
opção. Enfim, sucumbidos estamos a rotulações e ficções por toda parte. Fico
pensando se a efusividade à aderência gay em nossa geração não é mais um
capítulo digno de contos de fada às avessas.
Sem pretender adeptos, eis a nossa humílima reflexão.

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