9 de março de 2013

O que gera bônus, reclama o devido ônus.



Respeito os relacionamentos em que as pessoas se manifestam da maneira mais prazerosa possível. Seja ela qual for, penso que o indivíduo deve colocar-se com inteireza e satisfação diante do outro. AFORA ISSO, O RESTO É CONVERSA FIADA! Os parceiros devem buscar a satisfação mútua de estar juntos. Uma comunhão. Como um e outro se expressa no sexo, no desejo, na rotina, talvez, seja irrelevante quanto ao fato de voluntariamente se adequarem um ao outro.

Há relacionamentos nos quais, todavia, um quer induzir o outro sobre o que fazer da própria vida, como e quando deve falar, o que priorizar, o que deve renunciar, como deve agir. Um dos parceiros absorve a esfera de liberdade do outro: isso é uma VERDADEIRA QUESTÃO DE INGERÊNCIA PESSOAL.

Ora, o que há de mais íntimo no ser humano chama-se pensamento. EIS A QUESTÃO: no universo do pensamento, ninguém domina ninguém. Portanto, se você auto intitula-se dominador, controlador, dono etc, de alguém, é bom passar pela sabatina do zelo e do cuidado, antes de honorificar-se com um título tão precário.

Pra ser mais precisa, ingerir-se sobre alguém tem seu BÔNUS, mas também reclama seu ÔNUS. Brincar de 'O mestre mandou...', pode ser bobagem para quem está no cume do envolvimento. Quando a rotina faz morada, quando os dias passam reclamando suas dívidas próprias, aquele que manda pode constituir-se num peso INSUPORTÁVEL para quem escolheu para si a missão de renunciar e obedecer.

Eu sou suspeita de falar. Sou uma INSUBMISSA NATA. Mas se aproximem do meu raciocínio. O mandão ou a mandona é sempre cheio (a) de pedantice. Ora, o que esperar de alguém que se arvora no direito de gerir a vida e os desejos do outro. Só que o pensamento, ninguém alcança!!!

Portanto, se alguém quer ser 'dono' de alguém, entendo deve priorizar o conforto do outro. Primeiro, a satisfação do outro, após, a própria. Logo, o chamado 'dominante' deve entender que renunciar ao seu pedaço de prazer em honra do prazer do submisso faz-se mister, SOB PENA DE PERDER O CETRO E A COROA. Afinal, reis/rainhas são destituíveis e suas figuras encerram estigmas cansativos.



E por quê? Porque, volta e meia, excessos sempre existirão. É um fato. Os caprichosos, e muito mais as caprichosas, são seres de convívio cansativo. E isto segue acumulado nos íntimos pensamentos do subordinado/submisso/escravo/renunciante. Um belo dia, alguém resolve mostrar os dentes. A partir desse dia, o encanto cede lugar à realidade, bem como à sua trivial descortesia.

Dessa maneira, pra quê investir o tempo do relacionamento discutindo idiotices e impondo uma lista de bobagens que o outro deve submeter-se? Aí o submisso abre o verbo e diz: "A partir de hoje, retiro-me daqui e dali, não faço mais isso ou aquilo, nem converso com tal e tal e tal pessoas... Mas me sinto feliz, porque agora eu tenho um dono..."

O que se pode dizer... DIGNO DE PENA!!! Infelizmente, só acorda para a realidade quem já experienciou o valor do DESENCANTAMENTO. É quando a realidade impõe o seu peso. SEJAMOS FELIZES, MAS NÃO ENTORPECIDOS! Felicidade é estar cônscio do que se escolhe, é dar prioridade para o 'si' que fica, o 'consigo' que permanece; o 'contigo' é sempre móvel e inconstante.

Agradeço aos que leram até aqui. Este grupo é muito bom. Sempre há algo que me intriga ou que me encanta. Ainda, peço desculpas àqueles que, por eu ter alcançado em palavras, se sintam eventualmente ofendidos.

Texto escrito para um grupo de discussão sobre relacionamento BDSM, bondage, dominação e sadomasoquismo, na rede social Facebook.




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