Começo da tarde de uma quinta-feira, dia 07 de
fevereiro. Sol a pino do outro lado do vidro. Deste como só a caatinga com suas
raízes profundas consegue suportar.
Estávamos eu, Nínive e um pequeno grupo de pessoas
num transporte voltando de Feira de Santana rumo a Riachão do Jacuípe, onde
trabalho e resido.
O pensamento longe, preocupada em chegar a tempo do
expediente vespertino. Tranquila, porém, sensação que pode ser atribuída devido
ao efeito do ar-condicionado no interior do veículo.
Após passarmos pelo posto de gasolina, localizado
num entroncamento no qual a BR bifurca-se em dois destinos, tomando um deles,
há um povoado. A placa anuncia “Bem vindo a Vila Feliz”.
Noutros tempos, me apercebi pensando que tal
designação a um povoado se assemelhava àquelas cidadezinhas docemente
desenhadas e construídas para um convívio pacato e lúdico entre personagens
fictícios.
Então, a meu ver, ‘Vila Feliz’ parecia soar bem para
uma novelinha das 18h ou um conto simpático. Mas a pequena, com a sabedoria dos
seus 6 anos de idade, trouxe uma vertente psicológica para explorarmos.
- Mãe! ‘Vila Feliz’ é o nome dessa cidade, é?
- É um povoado, mãe. É pequena, é menor que uma
cidade, por isso chamamos povoado. Moram poucas pessoas.
- Mas quer dizer que as pessoas que moram aí são
todas felizes? Ninguém briga aí, né? Aí todo mundo deve ser feliz.
Todos riram. Ser adulto, às vezes, é divertir-se do universo das sobriedades infantis. Eu não ousaria contrariar a seriedade
daquela suposição.


Nenhum comentário:
Postar um comentário