13 de fevereiro de 2013

Submissão, compreenção, renúncia.



NÃO ESCOLHA, APENAS COMPREENDA. Não escolha nem mesmo a não-escolha. Simplesmente compreenda toda a situação. Não existe nada para ser feito, somente um olhar é necessário, um olhar sem qualquer preconceito, sem qualquer distinção.
 RAJNEESH, Bhagwan Shree. NEM ÁGUA, NEM LUA: dez discursos sobre histórias Zen. Trad. Ma Prem Arsha. São Paulo: Pensamento, 1975. Do original 'No water, no moon'. p.57, adaptado.




Esta, a verdadeira submissão, a entrega à vida e aos desafios que ela proporciona. Você não possui nada de especial com que se orgulhar. O universo aí já estava antes de você ser concebido. Com ou sem você, não há a menor diferença.


Apenas sinta-o ao seu redor, acima e abaixo. Compreenda. Você está aqui. Eis você na sua pequenez diante do Todo. Eis você na sua inteireza, um universo em ação. Então, o melhor é não fazer distinções analíticas geradoras de muita ansiedade e de medos.


Simples, entregue-se à vida. Com naturalidade, ceda às correntes de ventos, como os guepardos atentos à linha do horizonte. Cace quando sentir fome. Corteje quando sentir desejo. Cumpra a sua rotina. Corra quando houver perigo. Enfrente o adversário caso ele invada o seu território ou ponha em risco a sua família. Honre o seu grupo, ele é o reflexo de você.


Hoje, as pessoas parecem desoladas porque perderam a noção dos princípios que regem a vida gregária. Viver em comunidade é atender aos princípios de respeito recíproco. Estão excessivamente individualizadas. Buscam especificamente atender aos próprios desejos e interesses, aos fins de ordem pessoal.


Mas viver em comunidade, contudo, necessita de um olhar comum. Um olhar com o qual todos se identifiquem. Um olhar que revele de onde você vem. Um olhar translúcido com o qual você possa ser identificado com os seus iguais.


E assim, as hierarquias e divisões entre grupos devem ser compreendidas apenas como utilidades para a proteção do próprio grupo. A confusão se infiltra quando esse sistema torna-se uma ferramenta para opressão de seus membros.


Humanos a subjugar humanos, uma triste realidade, desde que o primeiro indivíduo ‘entendeu’ que acumular lhe gera um domínio sobre os demais de sua espécie. O sentimento de comunidade foi aviltado, por conseqüência, cercas foram erguidas para a proteção de fortunas.


O excedente a que a comunidade teria direito foi usurpado. E, desde então, nós nos protegemos uns dos outros. E nos escondemos em nossa própria comunidade.


Hoje, na sociedade em que vivemos, da maneira como conduzimos as nossas vidas, é de suma importância compreender. Compreender o que é relevante e deve ser mantido. Compreender o que é peso inútil e deve ser abandonado. Compreender que não devemos ter consideração excessiva por nós mesmos; que as pessoas vivem e continuarão a viver normalmente sem a nossa existência.


Compreender, contudo, que devemos respeitar e honrar a si próprios. Compreender que não somos nem mais, nem menos dignos que nenhum outro da nossa espécie. Compreender que possuímos dignidade suficiente, compatível com a nossa humanidade.


Compreender que só devemos nos abandonar à própria missão de viver. Compreender que, embora estejamos sujeitos às correntes fluidas do tempo, também temos vontades, escolhemos o nosso destino. E compreender que, por vezes, somos os escolhidos, embora nunca saibamos com precisão sobre quando ou o porquê.





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