“O MESTRE ZEN
HAKUIN, ERA RESPEITADO POR TODOS OS SEUS VIZINHOS COMO ALGUÉM QUE LEVAVA UMA
VIDA PURA.
UM DIA, FOI
DESCOBERTO QUE UMA MOÇA MUITO BONITA QUE MORAVA PERTO DE SUA CASA ESTAVA
GRÁVIDA.
OS PAIS DA MOÇA
FICARAM FURIOSOS. NO INÍCIO, A MOÇA NÃO QUIS DIZER QUEM ERA O PAI, MAS APÓS
MUITA PRESSÃO FALOU QUE O PAI ERA HAKUIN.
COM MUITA RAIVA, OS
PAIS FORAM A HAKUIN, MAS TUDO O QUE ELE DISSE FOI: ‘É MESMO?’
QUANDO A CRIANÇA
NASCEU, FOI LEVADA A HAKUIN QUE, A ESSA ALTURA, JÁ HAVIA PERDIDO SUA
REPUTAÇÃO.”
É óbvio que as mesmas pessoas que pensaram que ele fosse um sábio,
começaram a pensar que fosse um demônio. Ele havia cometido o maior pecado do mundo
porque, para as pessoas, O SEXO É O
MAIOR PECADO.
Você é tão contra a
vida que o sexo tornou-se um grande pecado justamente por dar origem à vida. Você está tão morto que o sexo tornou-se pra você o maior pecado porque o
sexo é o fenômeno mais vivo do mundo. Não existe nada tão vivo quanto o sexo.
Você vem dele, as árvores vêm dele, os pássaros vêm dele, tudo vem através
dele. Tudo que se torna vivo vem através dele. ELE É A FONTE ORIGINAL.
Se fosse possível fazer
algum paralelo entre Deus e algo deste mundo, este algo seria o sexo. É por isso que os hindus fizeram de Shivalinga seu símbolo. Os hindus são
realmente raros, sem comparação. Só um povo corajoso poderia fazer de
Shivalinga o órgão sexual de Shiva, o símbolo do Divino.
O sexo é a coisa mais divina do mundo. MAS POR QUE VOCÊ O CHAMA DE PECADO? Porque desde sua própria origem
lhe foi ensinado que é pecado. Você esqueceu completamente que veio dele. E
encobre completamente o fato de que quando a energia sexual termina você também
morre. Vida é energia sexual palpitando
em seu interior.
Por isso é que um homem jovem é mais vivo que um homem velho. Qual a diferença
entre um jovem e um velho? No jovem, a energia sexual está transbordando. No
velho, a provisão desapareceu, o fluxo está desaparecendo, tornou-se exatamente
como um veio gotejante. No momento em que a energia sexual desaparece, você
morre. SEXO É VIDA e fizemos dele um
grande pecado. No fundo, somos contra a vida.
Quando você toma conhecimento de que um santo teve uma relação sexual, toda
a sua reputação desaparece imediatamente. Se ele tivesse roubado, não teria
sido mal, você poderia perdoá-lo. Se ele tivesse acumulado dinheiro – e seus
santos estão sempre acumulando dinheiro – você o teria perdoado. Isso não seria
um grande problema; ganância não é um
grande problema. Qualquer outra coisa
que ele tivesse feito, você poderia perdoar; mas sexo – impossível!
Nós nos tornamos tão mortalmente contra o sexo que os cristãos dizem que
Jesus não nasceu do sexo. Porque como pode Jesus nascer do sexo, do pecado
original? Como pode Jesus ter nascido do sexo? Todos nasceram do sexo, menos
Jesus. Por julgarem o sexo uma coisa perigosa, os cristãos dizem que Jesus nasceu
do Espírito Santo. Não houve pai para Jesus, não houve relação sexual. Ele
nasceu do útero sem qualquer encontro com o outro sexo.
POR QUE ESSA INSENSATEZ? Mas deixe Jesus e os cristãos de lado. Veja você mesmo! Se pensar que o
seu pai, num ou noutro tempo, fez amor com a sua mãe, você se sentirá culpado.
Mas como você nasceu? Você não é um bastardo. Mas só o pensamento do seu pai
fazendo amor com sua mãe já faz com que tudo lhe pareça horrível. O sexo lhe
parece tão horrível que você na pode conceber seu pai praticando-o. Os outros
sim, mas seu pai? Impossível! Você nasceu de um pai brahmachari, celibatário.
Isso é o que os cristãos dizem de Jesus.
Quando você se certifica de que um santo, um grande sábio como Hakuin,
deixou uma moça grávida, obviamente não só o respeito se vai. Hakuin deve ter
sido insultado de todos os modos possíveis. Deve ter sido impossível para ele andar
pela cidade e mendigar.
RAJNEESH,
Bhagwan Shree. NEM ÁGUA, NEM LUA: dez discursos sobre histórias Zen. Trad. Ma
Prem Arsha. São Paulo: Pensamento, 1975. Do original 'No water, no moon'. p.
66-68, grifos nossos.
Um comentário:
O Sexo é uma porta, uma bela, profunda e vasta passagem, das muitas, que nos levam para dentro do imenso universo do outro.
Podemos encontrar redenção ou perdição durante esta viagem tão íntima. Degeneração ou regeneração, e, ainda, a também imensa beleza da geração de outro ser.
Uma só carne buscando a unidade original com o espírito paradisíaco do princípio, que a Tudo Criou.
No entanto, percebo ser apenas uma bela etapa, compartilhada, rumo à esta unidade primeira...
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