PALAVRA.
Por
que figura ser elemento de luzes e sombras? Por que se arvora ser tão densa a
ponto de confundirmo-nos?
Eis
que a nós cabe a atividade de sondar-lhe as arestas e, quando preciso,
dissecá-la até que sua última substância seja esmiuçada.
A
palavra pode ser mãe-filha-irmã de todas as guerras. Palavra é
manifestação do pensamento. Por isso, escrever é o parto do
pensamento no mundo.
E
parimos o tempo inteiro. Povoamos o universo de palavras que, articuladas entre
si, direcionam um entendimento.
Mas
as palavras nem sempre vem impregnadas de um vínculo objetivo e coeso. Então,
restam soltas e desordeiras, sem um sentido aparente.
Necessário
é atribuir a justa medida a cada coisa. Que a palavra venha como altar, onde se
aviva com o espírito das verdades múltiplas e risonhas.
Que
a palavra seja o receptáculo de ideias fluidas, suspensas, voláteis. Não
a violemos com a nossa vã pretensão de ferrá-las como se marca o gado. Nem a
dispersemos com o lodo da ignorância.


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