Quero cultivar as coisas simples. Apreciar
a leitura de um livro, citar seus fragmentos. Sorver uma xícara de chá, observar
o vapor desfazendo-se no ar. Preparar uma sopa como as velhas bruxas das lendas
infantis que preparam encantamentos em caldeirões. Não eu não tenho caldeirões.
Mas, talvez, eu me permita tê-los um dia. Servi-la a quem ama.
Observar a filha e sentir que a ama sem
medidas. Sentir que a ama tanto que tem até vontade de comê-la! Morder a filha,
fazer um carinho de bicho, mesmo que ela não goste! Comer muitos doces, ainda
que se saiba que desse modo você não vai longe com a dieta. Tomar vinho gelado e
ouvir a avó reclamar mais uma vez que você bebe muito!
Divagar o olhar na noite, escutar o
vento zumbindo no corredor e chacoalhando as folhas despreocupadas. Escutar a
mesma música ene vezes. Escrever, sonhar metáforas, chorar, escrever. No ciclo
que se inicia continuo a tecer meu caminho e resgatar algo impresso e perdido ainda
nas linhas da infância. Isso é importante!
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