A vida nos impõe algumas provas. Oferta-nos algumas surpresas.
Pergunto-me, tantas vezes, sobre as direções que nos são apontadas. Se as
portas que se abrem diante de nós são doces ou acres. Importa apenas escolher e
seguir em frente com o olhar da expectativa serena em manter-se de pé e lúcido.
Nos momentos de reflexão, sinto sempre aquela antiga
companheira. Aquela que me faz sentir o coração contrito e silente, com um leve
queimor nos olhos e a garganta entorpecida. Como é angustiante pensar com todos
os revezes a que me dou o direito.
Melancolia, velha amiga. O teu braço é um manto surrado e
quente. As tuas mãos caridosas são como um véu de seda pousando na minha fronte
triste. Aquela que me acolhe com um tapinha nas costas, a dizer sempre que as
coisas são como são.
E decerto já me convenci. De fato, quanto mais explicações
colhemos, mais atabalhoados nos tornamos apanhando migalhas e restos deixados
pelos que se fartam durante a jornada. E no mundo inteiro é assim. Há aqueles
que pedem, e só pedem. Há aqueles que tomam, sem pedir. Há os que correm e se
agitam em chegar primeiro, para reivindicar o melhor pedaço.
E há os que vão devagar. Seguem assim porque se
permitem observar o jogo, uma extensa e delicada trama. Assim, sem pressa, tem
a oportunidade de assistir como as peças se movimentam e com que ritmo. Devagar
aprendem as regras. Encontram tempo para analisá-las. Rebelam-se contra muitas
delas, rejeitando-as. Outras tantas, reservam-nas consigo.
Para os que seguem devagar, qualquer colo é um imenso
abrigo. Todo rosto tem o esboço de um sorriso. É algo incrível encontrar os que
domam a própria face - talento estranho, que alguns cultivam na vã tentativa de
não se perderem de si mesmos. Quem vai devagar, vai leve. Segue com a condição
privilegiada de quem vê por último. Está atento aos que anseiam por realizações
e fortunas.




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