5 de novembro de 2012

Duas versões do mesmo poema. Li Po (Li Bai).

Caligrafia de Li Po (Li Bai).




BEBENDO À LUZ DA LUA
Um jarro de vinho entre as flores,

bebo sozinho - nenhum amigo me acompanha.

Alço minha taça, convido a lua

e minha sombra - agora somos três.

A lua não bebe

e minha sombra apenas imita meus gestos.

Mesmo assim, são elas as minhas companhias.

É primavera, tempo de festa -

canto, a lua escuta e cintila;

danço, minha sombra se agita, animada.

Enquanto estou sóbrio, juntos estamos os três;

quando me embriago, cada um segue seu rumo.

Selamos uma amizade que nenhum mortal conhece.

E juramos nos encontrar no mundo além das nuvens.


Outra versão, do mesmo poema, construída a partir da tradução do francês François Cheng.


BEBENDO SOZINHO SOB A LUA.

Entre as flores, um pichel de vinho.
Sozinho a beber sem companhia
Levantando minha taça, saúdo a lua:
Com minha sombra, somos três.
No entanto, a lua não sabe beber;
É em vão que a sombra me segue
Honremos, entretanto, sombra e lua,
A alegria dura somente uma primavera!
Eu canto e a lua flana,
Eu danço e minha sombra se diverte.
Despertos, nos regozijamos,
E ébrio, cada um segue seu caminho...
Reencontros na Via Láctea:
Nunca mais, caminhadas sem apego!







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