Há tempos que entendo ser necessário um espaço para expor reflexões escritas em prosa. Já escrevi alguns textos ou observações compartilhadas numa página de relacionamento virtual. Mas a forma como o texto é apresentado e o acesso limitado de pessoas, restringidas ao seu círculo de amigos, sugerem que este recurso não seja satisfatório para o que eu pretenda.
De modo geral, é mais fácil saber o que não se quer. O que se pretende, auferimos por exclusão. E o que não se quer, neste caso, é a restrição do espaço e do público leitor, algo que parece meio óbvio. O que se pretende: qualquer coisa. Não há uma meta para alcançar. Nem um público-alvo definido a atingir.
Por essas considerações, torna-se fácil vincular o blog a um sistema de leitura tão imprevista, quanto despretenciosa. E assim, o que pretendo partilhar são extratos de prosas, recortes de pensamentos de leitura interessante e agradável. Nada prolixo. Opa! Lê-se 'prolíquisso', qualidade peculiar aos textos herméticos, fechados, de custoso entendimento. Não é à toa que, em respeito ao condão da grafia da palavra, o destino de tais textos é, literalmente, O LIXO.
Já lembrava aos antigos amigos da época de Graduação, que os textos que não servem ao entendimento, não servem para ser partilhados. Os excessivamente técnicos, somente agradam aos técnicos - e quando agradam! Os demasiadamente rebuscados, buscam apenas terem sua leitura postergada no tempo, esse elemento tão custoso em nossos dias.
Estamos nesse novo espaço, no qual publicarei escritos meus e escritos de outros (e por que não?) renomados autores. Tendo por prioridade o assento da palavra neste mundo de tantos desacertos e mal entendidos.
PALAVRA. Por que figura ser elemento de luzes e sombras? Por que se arvora ser tão densa a ponto de confundirmo-nos? Eis que a nós cabe a atividade de sondar-lhe as arestas e, quando preciso, dissecá-la até que sua última substância seja esmiuçada.
A palavra pode ser mãe-filha-irmã de todas as guerras. Palavra é manifestação do pensamento. Por isso, escrever é o parto do pensamento no mundo. E parimos o tempo inteiro.
Povoamos o universo de palavras que, articuladas entre si, direcionam um entendimento. Mas as palavras nem sempre vem impregnadas de um vínculo objetivo e coeso. Então, restam soltas e desordeiras, sem um sentido aparente.
Povoamos o universo de palavras que, articuladas entre si, direcionam um entendimento. Mas as palavras nem sempre vem impregnadas de um vínculo objetivo e coeso. Então, restam soltas e desordeiras, sem um sentido aparente.
Necessário é atribuir a justa medida a cada coisa. Que a palavra venha como altar, onde se aviva com o espírito das verdades múltiplas e risonhas. Que a palavra seja o receptáculo de ideias fluidas, suspensas, voláteis.
Não a violemos com a nossa vã pretensão de ferrá-las como se marca o gado. Nem a dispersemos com o lodo da ignorância.

Não a violemos com a nossa vã pretensão de ferrá-las como se marca o gado. Nem a dispersemos com o lodo da ignorância.

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